ESTOU COM MEDO


por Rubens Alves
Estou com medo. Nunca senti tanto ódio circulando entre o povo. A democracia se baseia na verdade e na razão: os cidadãos ouvem as propostas dos partidos e escolhem, por meio do voto, aquela que mais se harmoniza com os seus interesses.

Mas não é isso que vejo. Albert Camus disse que nunca poderia ser político porque ele era incapaz de desejar a morte do adversário. Então é isso?

É isso. O ódio ficaria feliz se o adversário morresse. Sinto os argumentos nos debates são tentativas de assassinato.

Acho que esse clima de ódio criará, no povo, feridas difíceis de serem curadas.
Resolvi, então, dirigir-me às crianças. Parece-me que os adultos entusiasmados, dominados por certezas, estão além da razão. Ah! Como essa coisa chamada “entusiasmo” é perigosa! Os ditadores sempre se apoiaram em seguidores entusiasmados. Se não houvesse os entusiasmados o nazismo não teria acontecido… Assim, resolvi dirigir-me às crianças. Para que elas não venham a cair na armadilhas desse câncer que é a paixão política. Escrevi então uma cartilha bem simples…
1. Somos uma democracia. A democracia é o melhor sistema político. É o melhor porque nele, ao contrário das ditaduras, é o povo que toma as decisões.

2. Em Atenas, berço da democracia, era fácil consultar a vontade do povo. Os cidadãos se reuniam numa praça e tomavam as decisões pelo voto. Mas no Brasil são milhares de cidades, espalhadas por milhares de quilômetros e os cidadãos são milhões. Não podemos fazer uma democracia como a de Atenas. Esse problema foi resolvido de forma engenhosa: os cidadãos, milhões, escolhem por meio de votos uns poucos que irão representa-los. O Congresso é a nossa Atenas…

3. Os representantes do povo, eleitos pelos votos dos cidadãos, vereadores, deputados, senadores, prefeitos, governadores, presidentes, são pessoas que abriram mão dos seus interesses e passaram a cuidar apenas dos interesses do povo que representam.

4. É assim que dizem as teorias. Na prática não é bem assim…

5. No Brasil são muitos os partidos que, no frigir dos ovos, se reduzem a dois: o partido das raposas e o partido das galinhas.

6. As raposas, devotas de S. Franciso, sabem que é dando que se recebe. Assim, movidas por esse ideal espiritual elas dão milhares de cestas de milho para as galinhas.

7. As galinhas acreditam nas boas intenções das raposas e tomam esse gesto de dar milho como expressão de amizade. A abundância do milho as faz confiar nas raposas. E, como expressão da sua confiança nascida do milho elas elegem as raposas como suas representantes. Assim, na democracia brasileira, as raposas representam as galinhas.

8. Eleitas por voto democrático, às raposas é dado o direito de fazer as leis que regerão a vida das galinhas e das raposas..

9. As leis que regem o comportamento das raposas não são as mesmas que regem o comportamento das galinhas. Sendo representantes do povo precisam de proteção especial. Essa proteção tem o nome de “privilégios”, isso é, leis que se aplicam só a elas.

10. Privilégio é assim: raposa julga galinha. Mas galinha não julga raposa. Raposa julga raposa. Logo, raposa absolve raposa.

11. “Todos os cidadãos são livres e têm o direito de exercer a sua liberdade”. As galinhas são livres para serem vegetarianas e têm direito de comer milho. As raposas são carnívoras e são livres para comer galinhas.

12. A vontade das galinhas, ainda que seja a vontade de todas as galinhas, não tem valia. Vontade de galinha solitária só serve para escolher suas representantes.

13. Permanece a sabedoria secular de Santo Agostinho, aqui traduzida em linguagem brasileira: “Tudo começa com uma quadrilha de tipos “fora da lei”, criminosos, ladrões, corruptos, doleiros, burladores do fisco, mafiosos, mentirosos, traficantes. Se essa quadrilha de criminosos se expande, aumenta em número, toma posse de lugares, de cargos, de ministérios, da presidência de empresas e fica poderosa ao ponto de dominar e intimidar os cidadãos e estabelecendo suas leis sobre como repartir a corrupção, ela deixa de ser chamada quadrilha e passa a ser chamada de estado. Não por ter-se tornado justa mas porque aos seus crimes se agregou a impunidade.”

14.Portanto, galinhas do Brasil! Acordai! Uni-vos contra as raposas!

“Acho a televisão muito educativa. Todas as vezes que alguém liga o aparelho, vou para outra sala e leio um livro” (Groucho Marx)  Ou vou para a internet…

Rubem Alves

“Enquanto a sociedade feliz não chega, que haja pelo menos
fragmentos de futuro em que a alegria é servida como
sacramento, para que as crianças aprendam que o
mundo pode ser diferente. Que a escola,
ela mesma, seja um fragmento do
futuro…”
(PROFESSOR DA UNICAMP, professor-visitante na Universidade de Birmingham, Inglaterra,fez “residência” no “Bellagio Study Center”, Itália.

Amigas

 Uma amiga me enviou este texto, que infelizmente nem ela nem eu sabemos de que é.  Gostei tanto que resolvi “blogar”. Espero que gostem

Há palavras que não podem faltar no kit existencial da mulher moderna. Amizade, por exemplo. Acostumadas a concentrar nossos sentimentos (e nossa energia…) nas relações amorosas, acabamos deixando as amigas em segundo plano. E nada, mas nada mesmo, faz tão bem para uma mulher quanto a convivência com as amigas. Ir ao cinema com elas (que gostam dos mesmos filmes que a gente), sair sem ter hora para voltar, compartilhar uma caipivodca de morango e repetir as histórias que já nos contamos mil vezes – isso, sim, faz bem para a pele. Para a alma, então, nem se fala. Ao menos uma vez por mês, deixe o marido ou o namorado em casa, prometa-se que não vai ligar para ele nem uma vez (desligue o celular, se for preciso) e desfrute os prazeres que só uma boa amizade consegue proporcionar.

Também abra espaço, no vocabulário e no cotidiano, para o verbo rir. Não há creme anti-idade nem botox que salve a expressão de uma mulher mal-humorada. Azedume e amargura são palavras que devem ser banidas do nosso dia a dia. Se for preciso, pegue uma comédia na locadora, preste atenção na conversa de duas crianças, marque um encontro com aquela amiga engraçada – faça qualquer coisa, mas ria. O riso nos salva de nós mesmas, cura nossas angústias e nos reconcilia com a vida.

Quanto à palavra dieta, cuidado: mulheres que falam em regime o tempo todo costumam ser péssimas companhias. Deixe para discutir carboidratos e afins no banheiro feminino ou no consultório do endocrinologista.
Nas mesas de restaurantes, nem pensar. Se for para ficar contando calorias, descrevendo a própria culpa e olhando para a sobremesa do companheiro de mesa com reprovação e inveja, melhor ficar em casa e desfrutar sua salada de alface e seu chá verde sozinha.

Tente trocar a obsessão pela dieta por outra palavra que, essa sim, deveria guiar nossos atos 24 horas por dia: gentileza. Ter classe não é usar roupas de grife: é ser delicada. Saber se comportar é infinitamente mais importante do que saber se vestir. Resgate aquele velho exercício que anda esquecido: aprenda a se colocar no lugar do outro, e trate-o como você gostaria de ser tratada, seja no trânsito, na fila do banco, na empresa onde trabalha, em casa, no supermercado, na academia.

E, para encerrar, não deixe de conjugar dois verbos que deveriam ser indissociáveis da vida: sonhar e recomeçar. Sonhe com aquela viagem ao exterior, aquele fim de semana na praia… Sonhar é quase fazer acontecer. Sonhe até que aconteça. E recomece, sempre que for preciso: seja na carreira, na vida amorosa, nos relacionamentos familiares. A vida nos dá um espaço de manobra: use-o para reinventar a si mesma.

E, por último, risque do seu Aurélio a palavra perfeição.. O dicionário das mulheres interessantes inclui fragilidades, inseguranças, limites. Pare de brigar com você mesma para ser a mãe perfeita, a dona de casa impecável, a profissional que sabe tudo, a esposa nota mil. Acima de tudo, elimine de sua vida o desgaste que é tentar ter coxas sem celulite, rosto sem rugas, cabelos que não arrepiam, bumbum que encara qualquer biquíni. Mulheres reais são mulheres imperfeitas. E mulheres que se aceitam como imperfeitas são mulheres livres. Viver não é (e nunca foi) fácil, mas, quando se elimina o excesso de peso da bagagem (e a busca da perfeição pesa toneladas), a tão sonhada felicidade fica muito mais possível.

A vida é tão imprevisível!!!

DESABAFO DE UM BOM MARIDO

  Minha esposa e eu sempre andamos de mãos dadas. Se eu soltar, ela vai às compras.


Ela tem um liquidificador elétrico, uma torradeira elétrica, e uma máquina de fazer pão elétrica.
Então ela disse: ‘Nós temos muitos aparelhos, mas não temos lugar pra sentar’.
Daí comprei pra ela uma cadeira elétrica.

Eu me casei com a ‘Sra. Certa’. Só não sabia que o primeiro nome dela era ‘Sempre’.

Já faz 18 meses que não falo com minha esposa. É que não gosto de interrompê-la.
Mas tenho que admitir, a nossa última briga foi culpa minha. Ela perguntou: ‘O que tem na TV?’ E eu disse ‘Poeira’.
No começo Deus criou o mundo e descansou.
Então, Ele criou o homem e descansou. Depois, criou a mulher. Desde então, nem Deus, nem o homem, nem o Mundo tiveram mais descanso.
Quando o nosso cortador de grama quebrou, minha mulher ficava sempre me dando a entender que eu deveria consertá-lo. Mas eu sempre acabava tendo outra coisa para cuidar antes, o caminhão, o carro, a pesca, sempre alguma coisa mais importante para mim. Finalmente ela pensou num jeito esperto de me convencer.
Certo dia, ao chegar em casa, encontrei-a sentada na grama alta, ocupada em podá-la com uma tesourinha de costura. Eu olhei em silêncio por um tempo, me emocionei bastante e depois entrei em casa. Em alguns minutos eu voltei com uma escova de dente e lhe entreguei.
‘- Quando você terminar de cortar a grama,’ eu disse, ‘você pode também varrer a calçada.’ Depois disso não me lembro de mais nada. Os médicos dizem que eu voltarei a andar, mas mancarei pelo resto da vida’.
‘O casamento é uma relação entre duas pessoas na qual uma está sempre certa e a outra é o marido...

Luís Fernando Veríssimo

9 FRASES DE DEUS PARA VOCÊ GRAVAR NA SUA MEMÓRIA


Nunca  se  esqueça  de  Deus 

1 – 
‘Deus não escolhe  pessoas capacitadas, Ele capacita os  escolhidos.’ 
2 – 
‘Um com Deus é  maioria.’ 
3 – 
‘Devemos orar  sempre, não até Deus nos ouvir, mas até que  possamos ouvir a Deus.’ 
4- 
Nada está fora  do alcance da oração, exceto o que está fora  da vontade de Deus.’ 
5- 
‘O mais importante  não é encontrar a pessoa certa, e sim ser  a pessoa certa.’ 
6 – 
‘Moisés gastou: 
40 anos pensando que era alguém; 40 anos  aprendendo que não era ninguém e 40 anos descobrindo o que Deus  pode fazer com um NINGUÉM.’ 

7 – 
‘A fé ri das impossibilidades.’ 
8 – 
‘Não confunda  a vontade de DEUS, com a permissão de DEUS. 
9   
Não diga a DEUS  que você tem um grande problema. Mas diga  ao problema que você tem um grande DEUS.’ 

DECLARAÇÃO: 
 
Sim, eu amo Deus. Ele  é a fonte de minha existência, é meu Salvador. 
Ele me sustenta a cada dia. 
Sem Ele eu não sou  nada, mas com Ele eu posso todas as 
coisas através de  Jesus Cristo, que me fortalece. 
(Filipenses 4:13) 

BUSQUE AS COISAS DO ALTO

Depois de uma grande tempestade, o menino que estava passando férias na casa do seu avô, o chamou para a varanda e falou: Vovô corre aqui! Me explica como essa figueira, árvore frondosa e imensa, que precisava de quatro homens para balançar seu tronco se quebrou, caiu com o vento e com a chuva… este bambu é tão fraco e continua de pé? 
Filho, o bambu permanece em pé porque teve a humildade de se curvar na hora da tempestade. A figueira quis enfrentar o vento. 

O bambu nos ensina sete coisas. Se você tiver a grandeza e a humildade dele, vai experimentar o triunfo da paz em seu coração

A primeira verdade que o bambu nos ensina, e a mais importante, é a humildade diante dos problemas, das dificuldades. Eu não me curvo diante do problema e da dificuldade, mas diante daquele, o único, o princípio da paz, aquele que me chama, que é o Senhor.

Segunda verdade: o bambu cria raízes profundas. É muito difícil arrancar um bambu, pois o que ele tem para cima ele tem para baixo também. Você precisa aprofundar a cada dia suas raízes em Deus na oração.

Terceira verdade: Você já viu um pé de bambu sozinho? Apenas quando é novo, mas antes de crescer ele permite que nasça outros a seu lado (como no cooperativismo). Sabe que vai precisar deles. Eles estão sempre grudados uns nos outros, tanto que de longe parecem com uma árvore. Às vezes tentamos arrancar um bambu lá de dentro, cortamos e não conseguimos. Os animais mais frágeis vivem em bandos, para que desse modo se livrem dos predadores. 

A quarta verdade que o bambu nos ensina é não criar galhos. Como tem a meta no alto e vive em moita, comunidade, o bambu não se permite criar galhos. Nós perdemos muito tempo na vida tentando proteger nossos galhos, coisas insignificantes que damos um valor inestimável. Para ganhar, é preciso perder tudo aquilo que nos impede de subirmos suavemente.

A quinta verdade é que o bambu é cheio de “nós” ( e não de eu’s ). Como ele é oco, sabe que se crescesse sem nós seria muito fraco. Os nós são os problemas e as dificuldades que superamos. Os nós são as pessoas que nos ajudam, aqueles que estão próximos e acabam sendo força nos momentos difíceis. Não devemos pedir a Deus que nos afaste dos problemas e dos sofrimentos. Eles são nossos melhores professores, se soubermos aprender com eles. 

A sexta verdade é que o bambu é oco, vazio de si mesmo. Enquanto não nos esvaziarmos de tudo aquilo que nos preenche, que rouba nosso tempo, que tira nossa paz, não seremos felizes. Ser oco significa estar pronto para ser cheio do Espírito Santo.

Por fim, a sétima lição que o bambu nos dá é exatamente o título do livro: ele só cresce para o alto. Ele busca as coisas do Alto. Essa é a sua meta.

Conjecturas

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Pode ser que às vezes eu cometa injustiças,
mas nunca deixarei de corrigir as minhas faltas
e reconhecer que ser humano é voltar atrás.

Pode ser que eu perturbe meus amigos
com envio de mensagens e carinhos,
mas minha intenção é que não se sintam
distantes do meu afeto.

Pode ser que eu não te alcance
quando precisares de uma ajuda,
mas minhas orações chegarão até Deus e
Ele poderá fazer bem mais.

Pode ser que eu me engane ao te dar um conselho,
mas tenha convicção que te dei a melhor certeza
que havia em meu coração.
Pode ser que eu fraqueje e
caia muitas vezes no caminho da vida,
mas buscarei a força do Criador que
novamente me colocará de pé.

Pode ser que algum temporal assole meus
dias, mas farei como a Águia,
voarei além das nuvens e o sol renovará meu espírito.

Pode ser que eu não saiba muitas respostas,
mas nunca deixarei de ensinar o que sei e
de perguntar o que não sei para aprender, a saber.

Pode ser que a maioria das pessoas não
incentive os meus sonhos, mas se uma
minoria colocar asas neles, então
voarei com elas e serei feliz.

Pode ser que o desalento e a descrença
turvem o meu olhar para a vida,
mas manterei viva a chama da esperança
que me revelará a luz.

Pode ser que eu decepcione pessoas muitas
vezes ou me decepcione com elas,
mas é compreensível, já que somos
buscadores do caminho do meio.

Pode ser que eu sufoque quem amo com
excessos de demonstrações, mas é apenas
por insegurança para não ser acusada de negligencia.

Pode ser que muitas vezes olhe
o céu e não visualize estrelas, mas saberei
que além das nuvens elas seguem brilhando,
também por mim.

Pode ser que John Lennon não tenha
conseguido que todos os povos cantem
uma ciranda ao redor do mundo,
mas o sonho da paz não morreu com ele.

Pode ser que obstáculos surjam e
pareçam intransponíveis, mas nada
me impedirá de contorná-los se
acreditar que eu sou, e eu posso.

Pode ser que eu nunca chegue ao
final do caminho traçado nos meus
objetivos, mas o final é apenas um momento,
o que conta é o caminhar.

Pode ser que do outro lado do sonho
não exista um mundo onde a vida não doa,
mas nunca deixarei de procurar a magia
que me leve até ele.

Pode ser que eu não seja a melhor
pessoa ou a melhor amiga que
alguém possa ter, mas tento dia a dia exteriorizar,
o melhor que existe em mim .

Pode ser que você tenha lido essa mensagem e
tenha feito alguma diferença no seu dia.

Pode ser que não, mas se te acrescentou algo
de bom, fez diferença:
para mim.
Lady Foppa

Como a classe média alta brasileira é escrava do “alto padrão” dos supérfluos !!

 Adriana Setti

No ano passado, meus pais (profissionais ultra-bem-sucedidos que decidiram reduzir o ritmo em tempo de aproveitar a vida com alegria e saúde) tomaram uma decisão surpreendente para um casal – muito enxuto, diga-se – de mais de 60 anos: alugaram o apartamento em um bairro nobre de São Paulo a um parente, enfiaram algumas peças de roupa na mala e embarcaram para Barcelona, onde meu irmão e eu moramos, para uma espécie de ano sabático.
Aqui na capital catalã, os dois alugaram um apartamento agradabilíssimo no bairro modernista do Eixample (mas com um terço do tamanho e um vigésimo do conforto do de São Paulo), com direito a limpeza de apenas algumas horas, uma vez por semana. Como nunca cozinharam para si mesmos, saíam todos os dias para almoçar e/ou jantar. Com tempo de sobra, devoraram o calendário cultural da cidade: shows, peças de teatro, cinema e ópera quase diariamente. Também viajaram um pouco pela Espanha e a Europa. E tudo isso, muitas vezes, na companhia de filhos, genro, nora e amigos, a quem proporcionaram incontáveis jantares regados a vinhos.
Com o passar de alguns meses, meus pais fizeram uma constatação que beirava o inacreditável: estavam gastando muito menos mensalmente para viver aqui do que gastavam no Brasil. Sendo que em São Paulo saíam para comer fora ou para algum programa cultural só de vez em quando (por causa do trânsito, dos problemas de segurança, etc), moravam em apartamento próprio e quase nunca viajavam.
Milagre? Não. O que acontece é que, ao contrário do que fazem a maioria dos pais, eles resolveram experimentar o modelo de vida dos filhos em benefício próprio. “Quero uma vida mais simples como a sua”, me disse um dia a minha mãe. Isso, nesse caso, significou deixar de lado o altíssimo padrão de vida de classe média alta paulistana para adotar, como “estagiários”, o padrão de vida – mais austero e justo – da classe média europeia, da qual eu e meu irmão fazemos parte hoje em dia (eu há dez anos e ele, quatro). O dinheiro que “sobrou” aplicaram em coisas prazerosas e gratificantes.
Do outro lado do Atlântico, a coisa é bem diferente. A classe média europeia não está acostumada com a moleza. Toda pessoa normal que se preze esfria a barriga no tanque e a esquenta no fogão, caminha até a padaria para comprar o seu próprio pão e enche o tanque de gasolina com as próprias mãos. É o preço que se paga por conviver com algo totalmente desconhecido no nosso país: a ausência do absurdo abismo social e, portanto, da mão de obra barata e disponível para qualquer necessidade do dia a dia.
Traduzindo essa teoria na experiência vivida por meus pais, eles reaprenderam (uma vez que nenhum deles vem de família rica, muito pelo contrário) a dar uma limpada na casa nos intervalos do dia da faxina, a usar o transporte público e as próprias pernas, a lavar a própria roupa, a não ter carro (e manobrista, e garagem, e seguro), enfim, a levar uma vida mais “sustentável”. Não doeu nada.
Uma vez de volta ao Brasil, eles simplificaram a estrutura que os cercava, cortaram uma lista enorme de itens supérfluos, reduziram assim os custos fixos e, mais leves,  tornaram-se mais portáteis (este ano, por exemplo, passaram mais três meses por aqui, num apê ainda mais simples).
Por que estou contando isso a vocês? Porque o resultado desse experimento quase científico feito pelos pais é a prova concreta de uma teoria que defendo em muitas conversas com amigos brasileiros: o nababesco padrão de vida almejado por parte da classe média alta brasileira (que um europeu relutaria em adotar até por uma questão de princípios) acaba gerando stress, amarras e muita complicação como efeitos colaterais. E isso sem falar na questão moral e social da coisa.
Babás, empregadas, carro extra em São Paulo para o dia do rodízio (essa é de lascar!), casa na praia, móveis caríssimos e roupas de marca podem ser o sonho de qualquer um, claro (não é o meu, mas quem sou eu para discutir?). Só que, mesmo em quem se delicia com essas coisas, a obrigação auto-imposta de manter tudo isso – e administrar essa estrutura que acaba se tornando cada vez maior e complexa – acaba fazendo com que o conforto se transforme em escravidão sem que a “vítima” se dê conta disso. E tem muita gente que aceita qualquer contingência num emprego malfadado, apenas para não perder as mordomias da vida.
Alguns amigos paulistanos não se conformam com a quantidade de viagens que faço por ano (no último ano foram quatro meses – graças também, é claro, à minha vida de freelancer). “Você está milionária?”, me perguntam eles, que têm sofás (em L, óbvio) comprados na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, TV LED último modelo e o carro do ano (enquanto mal têm tempo de usufruir tudo isso, de tanto que ralam para manter o padrão).
É muito mais simples do que parece. Limpo o meu próprio banheiro, não estou nem aí para roupas de marca e tenho algumas manchas no meu sofá baratex. Antes isso do que a escravidão de um padrão de vida que não traz felicidade. Ou, pelo menos, não a minha. Essa foi a maior lição que aprendi com os europeus — que viajam mais do que ninguém, são mestres na arte do savoir vivre e sabem muito bem como pilotar um fogão e uma vassoura.

PS: Não estou pregando a morte das empregadas domésticas – que precisam do emprego no Brasil –, a queima dos sofás em L e nem achando que o “modelo frugal europeu” funciona para todo mundo como receita de felicidade. Antes que alguém me acuse de tomar o comportamento de uma parcela da classe média alta paulistana como uma generalização sobre a sociedade brasileira, digo logo que, sim, esse texto se aplica ao pé da letra para um público bem específico. Também entendo perfeitamente que a vida não é tão “boa” para todos no Brasil, e que o “problema” que levanto aqui pode até soar ridículo para alguns – por ser menor. Minha intenção, com esse texto, é apenas tentar mostrar que a vida sempre pode ser menos complicada e mais racional do que imaginam as elites mal-acostumadas no Brasil.

O CRAVO NÃO BRIGOU COM A ROSA


Texto de Luiz Antônio Simas

Chegamos ao limite da insanidade da onda do politicamente correto.Soube dia desses que as crianças, nas creches e escolas, não cantammais “O Cravo Brigou com a Rosa”. A explicação da professora do filhode um camarada foi comovente: a briga entre o cravo – (o homem) e arosa (a mulher) estimula a violência entre os casais. Na nova letra “ocravo encontrou a rosa debaixo de uma sacada/o cravo ficou feliz /e arosa ficou encantada”.Que diabos é isso? O próximo passo é enquadrar o cravo na Lei Maria da Penha. Será que esses doidos sabem que “O Cravo Brigou com a Rosa” faz  parte de uma suíte de 16 peças que Villa Lobos criou a partir de temas recolhidos no folclore brasileiro? É Villa Lobos, cacete!Outra música infantil que mudou de letra foi “Samba Lelê”. Na versãoda minha infância o negócio era o seguinte: Samba Lelê tá doente/ Tá

com a cabeça quebrada/ Samba Lelê precisava/ É de umas boas palmadas.

A palmada na bunda está proibida. Incita a violência contra a meninaLelê. A tia do maternal agora ensina assim: Samba Lelê tá doente/ Com uma febre malvada/ Assim que a febre passar/ A Lelê vai estudar. Se eu fosse a Lelê, com uma versão dessas, torcia pra febre não passar nunca. Os amigos sabem de quem é “Samba Lelê”? Villa Lobos, de novo.Podiam até registrar a parceria. Ficaria assim: Samba Lelê, de Heitor Villa Lobos e Tia Nilda do Jardim Escola Criança Feliz.


Comunico também que não se pode mais atirar o pau no gato, já que amúsica desperta nas crianças o desejo de maltratar os bichinhos. Quem entra na roda dança, nos dias atuais, não pode mais ter sete namorados para se casar com um. Sete namorados é coisa de menina fácil. Ninguém mais é pobre ou rico de marré-de-si, para não despertar na garotada o sentido da desigualdade social entre os homens.


Dia desses alguém (não me lembro exatamente quem se saiu com essa e não procurei a referência no meu babalorixá virtual, Pai Google da Aruanda) foi espinafrado porque disse que ecologia era, nos anossetenta, coisa de viado. Qual é o problema da frase? Ecologia, defato, era vista como coisa de viado. Eu imagino se meu avô, com a alma de cangaceiro que possuía, soubesse, em mil novecentos e setenta e poucos, que algum filho estava militando na causa da preservação do mico leão dourado, em defesa das bromélias ou coisa que o valha. Bicha louca, diria o velho.Vivemos tempos de não me toques que eu magôo. Quer dizer que ninguém mais pode usar a expressão “coisa de viado”? Que me desculpem os  paladinos da cartilha da correção, mas isso é uma tremenda babaquice.O politicamente correto é a sepultura do bom humor, da criatividade,da boa sacanagem. A expressão “coisa de viado” não é, nem a pau (sem duplo sentido), ofensa a bicha alguma.


Daqui a pouco só chamaremos o anão – o popular pintor de rodapé ouleão de chácara de baile infantil – de deficiente vertical.

O crioulo – vulgo picolé de asfalto ou bola sete (depende do peso) – só pode ser chamado de afrodescendente.
O branquelo – o famoso branco azedo ou Omo total – é um cidadão caucasiano desprovido de pigmentação mais evidente.
A mulher feia – aquela que nasceu pelo avesso, a soldado do 5º batalhão de artilharia pesada, também conhecida como o rascunho do mapa do inferno – é apenas a dona de um padrão divergente dos preceitos estéticos da contemporaneidade.
O gordo – outrora conhecido como rolha de poço, chupeta do Vesúvio, Orca, baleia assassina e bujão – é o cidadão que está fora do peso ideal.
O magricela não pode ser chamado de morto de fome, pau de virar tripa e Olívia Palito.
O careca não é mais o aeroporto de mosquito, tobogã de piolho e pouca telha.

Nas aulas sobre o barroco mineiro, não poderei mais citar oAleijadinho. Direi o seguinte: o escultor Antônio Francisco Lisboatinha necessidades especiais… Não dá.

O politicamente correto também gera a morte do apelido, essa tradição fabulosa do Brasil.

Falei em velho Bach e me lembrei de outra. A velhice não existe mais.O sujeito cheio de pelancas, doente, acabado, o famoso pé na cova,aquele que dobrou o Cabo da Boa Esperança, o cliente do segurofuneral, o popular tá mais pra lá do que pra cá, já tem motivos parasorrir na beira da sepultura.

A velhice agora é simplesmente a “melhor idade”.

Se Deus quiser morreremos todos gozando da mais perfeita saúde.Defuntos? Não.

Seremos os inquilinos do condomínio Cidade do pé junto.