Curso de Têxtil e Moda da USP pode reduzir número de vagas e ganhar mudanças profundas no currículo Moda ·Cursos de moda Curso de Têxtil e Moda da USP pode reduzir número de vagas e ganhar mudanças profundas no currículo

 curso de moda da USP, um dos poucos oferecidos em universidades públicas no país, está sob avaliação profunda. Em meados de março, foi divulgado relatório produzido por um Grupo de Trabalho composto por docentes do campus leste da Universidade de São Paulo e encabeçado pelo ex-reitor Adolpho José Melphi. O documento avalia os cursos da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH – USP Leste) e propõe uma série de mudanças – algumas avaliadas pelos alunos como drásticas, como o corte de vagas de diversos cursos.

A respeito do Bacharelado em Têxtil e Moda, inaugurado em 2005, o relatório faz considerações positivas: diz que o curso é um dos mais procurados da unidade e que deve manter sua estrutura. Por outro lado, um grupo de professores da graduação propôs algumas modificações. Entre elas, o corte de metade das vagas oferecidas (atualmente em 60) e mudança do nome do curso para Design em Têxtil e Moda. O câmbio no nome acarretaria uma reformulação da grade horária, que hoje alterna disciplinas voltadas para design, gestão e tecnologia têxtil.

De acordo com a coordenadora do bacharelado, a Professora Dra Regina Aparecida Sanches, a troca do nome e consequente alteração na grade curricular não trariam alterações abruptas para os alunos. O novo nome aumentaria a área de abrangência do curso, alinhando a graduação com os cursos superiores do tipo existentes no exterior.

Com o novo nome, os alunos sairiam da faculdade com título de designers, no lugar dos atuais bacharéis. Regina cita que no Brasil existe um problema cultural com a conceituação do trabalho do designer: “Aqui as pessoas pensam que esse profissional só cuida do desenho, da embalagem. Não é verdade. O designer cuida do projeto como um todo.”

A respeito do corte de vagas, as opiniões se dividem. Os docentes da graduação afirmam que a redução do número de vagas visa melhorar a qualidade do ensino e chamam atenção para o fato de que faltam profissionais com qualificação suficiente para lecionar no curso – a USP contrata apenas professores com titulo de doutor. Diz-se que a diminuição da quantidade de alunos amenizaria a situação de superlotação de algumas disciplinas até que sejam contratados novos professores.

O Conselho de Graduação da Universidade de São Paulo se reúne nesta quinta-feira (07.04) para votar as mudanças propostas pelo relatório e pelos professores do curso de Têxtil e Moda. Todavia, tendo em vista a grande quantidade de assuntos a passarem por votação, não é garantido que se tome alguma decisão definitiva ainda esta semana.